quinta-feira, 21 de maio de 2009

Invasão Mogiana - parte 2

Chegou a segunda parte da Invasão Mogiana, escrita pelo Jorge. A primeira parte você confere aqui, feita pelo nosso amigo Régis. E a segunda logo abaixo... mais uma da série "post grande mas vale muito muito muito à pena ler". Aproveitem.

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Leitura underground – capítulo XVVMMIX
by jorgecosta


Comentavam-se nos redutos mogianos, e outros, acreditem - da galera que nunca dorme, que faz festa com a maior facilidade, mesmo sem um puto no bolso - já há algumas semanas, que uma grande invasão consumaria-se em uma data próxima, em um lugar de boas referências.

Ansiedade pairava sobre alguns seres...

À medida que esse 15/05, do promissor 2009 eminenciava-se, planos mirabolantes eram esculpidos por amigos queridos, no intuito de garantirem a totalidade da festa anunciada.

Amanhece, 15 de maio, sexta-feira de uma semana de clima ótimo, apresenta-se mal humorada, dia típico de outono. Era uma clara provação às disposições arquitetadas pelas figuras que reservaram sua disputada agenda para celebrarem a digna/merecida sexta com seus afetos. Há de imaginar-se que um pseudo-friozinho detém esse povo do alto-tietê?

Credite à música, à façanha de ter Alê Lima acordado numa sexta, antes das 11, e já por 2 vezes ter tentado me localizar no trabalho – porra, no trabalho, sexta, antes das 9? Tá de zueira!

Com esse indício dava pra avaliar que os preparativos estavam no bom e velho estilo Brasil. Com exceção do Ragga, que sabiamente aconchegou-se na morada do amor, antecipando nossa via sacra, havia ainda detalhes a serem acertados, e o decorrer do dia prestou-se bem a isso. Telefonemas, MSN (God bless the Internet!) e mais telefonemas, foram suficientes para que a crença em um final feliz fosse estabelecida, e que alguns planos fossem rearranjados.

Tudo bem, o carro está (finalmente) em dia com os detalhes que o fazem ir e voltar, então parece que nosso plano está bem viável, e talvez possamos chegar antes que certos adjetivos façam-se notar.

Resumo da via sacra:
− 18h; see u Guaia!
− 18:30h; Bota esse case lá atrás e bora pegar o Fear!
− 19h; Onde é mesmo que fica a casa do ?!
− 19:30h; Rodeio com 2 objetivos já bem claros.
− 20h; Cesar... meeting com outrem saudoso “Deus Metal”, e claro que Gui-moto-doido não ia ficar de fora dessa.

Ao som do Granada! (u know it?), lotamos o poisé. Pelo excesso de contingente, última parada, estação Mogi de todas as cruzes. Ali desovamos dois meliantes que dispunham de uma carona mais perfumada e elegante, ante aos trastes que volumavam àquele veículo suspeito em seu conteúdo.

Havia nessa sexta uma palavra muito reincidente, frequentemente proclamada com olhos voltados à minha “nudez”. No meu pensamento, não havia como o calor dessa gente, que satisfaz-me chamar de amigos, acrescido ao que estava por vir, sucumbir a um ventinho sorrateiro, teimoso em colidir com nossos corpos gélidos. Realmente não havia.

Tudo certo? Falta alguma coisa? Ok, bora pro rock então, gurizada!

E assim, The Eternal, acrescido dos devidos aditivos, nos teletransportou até Barra Funda sem nenhum estresse dos que poderiam ocorrer.

Não compartilhei o saudosismo que me acometeu. A primeira coisa que me veio quando saí do carro, é que estava em um lugar bacana, com gente bacana. Cena ocorrida ali mesmo, na oportunidade que o Mentecapto pôde deixar ali sua marca, naquele instante essa marca evidenciou-se na minha percepção.

Devidamente credenciados, degraus acima, alegra-nos encontrar um pedaço da trupe, a parte mais graciosa, podemos dizer. As mais que simpáticas garotas Maquiladora, sempre esbanjadoras de sorrisos e alto-astral. Vendo essas moças ali, alegres e amigáveis, ninguém imaginaria a destruição que vossa expressão artística traria brevemente.

O pré-show com essa gente do rock é sempre mais que divertido, e assim foi. Bebericando aqui, papeando ali, não parava de “brotar” rostos conhecidos de gente que chegava de todos os cantos e cidades. Fukuda (Ventana), gente boníssima e sua trupe logo descolaram uma mesinha num canto estratégico para ver em maioria o povo da terra do caqui fazer sua arruaça.

Houvi rumores que a sequência dos shows sairia no “palitinho”. E o quê os palitos tinham a nos contar? “Que seus cérebros derreterão embalados ordenadamente dessa forma: Somata, Vício Primavera, Give-me a break!, e o apocalipse, visitar-vos-há com trilhas da Maquiladora”.

Por duas vezes, já havia deslocado meu corpo rocker até a famigerada Livraria da Esquina, e lá é um puta lugar da hora, onde você pode passar horas apreciando tudo de bom que pode haver em lugares do tipo. Mas sim, conta com peculiaridades inerentes ao nome. Livros? Escolha seu estilo, e a prateleira, puxe um banquinho, peça uma cachacinha, ou o quê lhe convier e fique à vontade. Vá lá quando puder!

Tudo pronto no palco, avista-se o trio Somático de punho de seu arsenal. Nas primeiras batidas, pego minha gelada (que não lembro o preço), e posiciono-me estrategicamente para saber o que eles tinham a nos contar.

Provável que não haja alguém tão suspeito pra falar acerca dessa banda quanto eu. Mas posso falar pela particularidade musical que possuem e que tanto me atrai. Costumo dizer que o Somata é o The Mars Volta mogiano. Sei que não houve ensaio pra esse show, e que provavelmente não haverá por um longo tempo, mas quem disse que o Somata precisa ensaiar? Quem disse que se eles ensaiarem o show sairá melhor ou pior? Aliás, são relativos os conceitos de bom ou ruim quando se fala musicalmente desses caras.

Por que a alusão aos deuses do The Mars Volta? Simples, com ambas as bandas é assim... ou você ama, ou você odeia. Felizes dos que se encontram no primeiro grupo, que podem degustar dos acordes imprevisíveis que sua sensibilidade capturará.

Uma máxima sobre esses doidos: “Não dá pra arriscar dizer que a música acabou, melhor esperar pra saber...”

Os caras fizeram o show sem novidades no repertório, mas com a mesma alegria e disposição dos n-shows que eu já pude presenciar. Há uma vitalidade notável aos integrantes da banda, notadamente quando tocam pra tantos amigos. Realmente sentem-se em casa. E assim foi o show inteiro, quem se dispôs a ver um pouco do show, certamente ficou satisfeito. Tinha uma galera ali na frente do palco curtindo, dançando e cantando as letras cabulosas democratizadas na banda. A divisão das vozes, de forma que muitas vezes há dúvida sobre quem está cantando, guitarras à vontade de Mr. Alessauro, e as baterias possantes e compassadas do Erikito são um puta diferencial dos caras. Pô, não deve ser tão difícil apreciar isso, basta parar pra ouvir. Mas cuidado, se ouvir uma vez, nunca mais parará.

O lugar não estava tão cheio quanto das outras vezes que estive por lá, mas era especial, era uma festa. Muitos amigos e uma ótima atmosfera foi o que norteou o sempre bom e divertido show do Somata.

Há rumores que a banda anda fazendo reavaliações naturais. Não há problema, qualquer formação que contiver um deles, certamente trará grandes novidades. Aguardemos...

Na sequência, teve Vício Primavera e Give-me a Break, mas sobre esses assuntos falem com meu comparsa.

Só porque eu não consigo resistir: O Vicio é a banda mais divertida e divertidora, possuidora de uma energia sem igual que já vi! Isso combina totalmente com o povo da nossa amada “Casinha”.

Lá pelas tantas da madrugada, no palco, o fenômeno... Fica pequeno pra qualquer pessoa dissertar sobre essa relíquia destruidora que se apresenta como banda, mas tentemos...
Cara, se você não viu um show da Maquiladora ainda, vou te dar uma idéia do que estás perdendo.

Banda de garotas, já ouvi algumas, já vi outras, mas com essa, seu pré-conceito muda rapidinho. Tem muita coisa com essas meninas: talento, dedicação, técnica, disciplina, sei lá o que as coloca em posição tão privilegiada quando tocam. Tudo bem, não é pra saber mesmo, é pra degustar as consecutivas pérolas que elas mandaram. Uma após outra, cada vez mais o público era abduzido e convidado a banguear, e moshar se for da sua vibe (mas desde que haja amigos para garantir a aterrissagem! rsrs [não deu pra aguentar... melhoras a nosso big friend voador]).

Teve uma semana estressante, chata, sem graça, cheia de trabalho? Venha ver um show delas, e certamente você não terá lembranças de nada disso. Na ocasião talvez você pudesse ter um pequeno hematoma no dia seguinte, mas provável que você teria lindos olhos para com o mesmo, pois ele lhe traria a lembrança de uma puta sexta-feira bem vivida, onde além do prazer de encontrar gente do bem, ainda poderia degustar um show possante, de uma energia contagiante. Energia essa que enquanto assistia as rodas e bate-cabeças que constantemente formavam-se, manifestava-se nos vários semblantes misturados ali naquela grande festa que elas tocaram para esse povo mais que demais.

Não ouvi ainda, mas os rumores sobre o CD das Maquilas já sugere que é uma boa hora para todos começarmos a barganhar uma bolachinha dessas, para que quando seus filhos vierem até você dizendo: “Deixa eu ir no show dessa banda fudida que a gente ouve falar toda hora em todo lugar?”, você possa dizer com grande satisfação em seu sorriso: “Maquiladora? Nem fudendo, apesar delas merecerem muito o que é dito sobre elas, melhor você ganhar um pouco mais de massa muscular, porque você vai enfrentar uma avalanche de energia!”

Beijos e lembrem-se: Sonic Youth é vida!!!

13 comentários:

Regis Vernissage disse...

belíssimo debut, jorgera!
keep on rockin, man...
;)

Zelenski disse...

Só não me arrependo de não ter ido pq tava tocando por mogi :p

Duda Citriniti disse...

Ah!!!! Eu adoro o Zórzi, que texto.


PS. E ainda teve coragem de me dizer que não sabia nem onde iam as vírgulas. Filho da mãe! rs

f f f disse...

Mogi é uma avalanche inspiradora caras!!!

belos textos camaradas, parabéns e vamos construir mais histórias dessas

Abraços
Fukuda

guimotoco disse...

aeee jorgeraaa!!!!!
fudido!!!
é nóis no rock... cola hj no sambuca, pra gente sambar??? ehheheh

bjos

caio costa amaro disse...

Jesus, aquele que vos ama, jamais diria em suas previsões, que Jorge, 2009 anos depois, figura neutra da rebeliões institucionais, seria tão fantástico em um relato, fantástico, ótimo texto, e acima de tudo, ótimo ponto de vista, nesta pegada faremos uma bíblia da história local.

Obrigado pelo registro!

Lucas Vício disse...

PORRA , queria agradecer em um post só aos elogios que Jorge e Réjão fizeram sobre o vício ...
fiquei sem palavras galera ... brigado mesmo

e que texto animal que os senhores fizeram hein !!!
abraço galera

Thania disse...

ahahahaha!!! O Jorge escreve com um bom um bom-humor!!!! Belo texto, querido!! =D

Gab Chacon disse...

mandou báála, Jorge!

foi bem bonito ver o povo todo junto! lindo, lindo. que muitos mais venham, cada vez mais fortes e divertidos!

Nelsinho disse...

Belo texto Jorgera!!! Que outros shows como esse rolem por ai, por aqui, por ali!
Foi bom pra kct!
Abraços!

L U Z ! ! !

J disse...

vcs saum,,, no mínimo, foda!!!...
everyone of you...

Nyne-not. disse...

Adorei o texto Zóóóórzi, muito legal meeesmo!


que venham muitas sextas com essa...foi muito lindo!!!

melhoras pro AlêSauro!

beijos♥

Juliana disse...

Também vim aqui agradecer os elogios ao Give me a Break...