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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Estreia com classe e barulho: resenha do álbum Topsyturvy

Topsyturvy já vem fazendo barulho há um bom tempo, desde o lançamento do ótimo EP “-1”. Agora, a trupe, que na verdade hoje é uma dupla no melhor estilo Omar e Cedric, lança o álbum cheio de estreia, homônimo, com oito músicas ótimas, que podem ser baixadas via Trama Virtual.

O álbum começa com Blunder, velha conhecida de shows, presente em “-1”, que tem cara de início de festa, mas que, ao explodir, mostra a que veio, com toda a mistura de som, com direito a muita guitarra e brasilidade. O final da música parece uma brincadeira entre os integrantes, que mostra que, no fundo, o maior objetivo de todos é apenas se divertir.

Topsyturvy continua com a roqueira, que funciona muito bem ao vivo, Hold me Freak, passa pela mais emocionante e Mars Volta faixa do álbum, Bubbles, até topar com outra música do “-1”, a dançante e frenética S&M Cold Make You Love.


 A sugestiva capa de Topsyturvy

Read and Sleep é um momento ímpar do álbum. O título não poderia sem melhor, pois remete àquelas leituras que antecedem o sono. Entretanto, a música continua depois que se adormece e parece entrar nos sonhos, no maior estilo Dorothy, levando quem escuta às pirações do mundo de Oz. Talvez por isso, lembra Pink Floyd, devido ao Dark Side of The Rainbow.

Como um despertador, segue Layabout e, depois, também conhecida e rebolante, que fecha as faixas que pertenciam os “-1”, Sambö.

Fora e dentro do álbum, Broadcast é, com certeza, a melhor música para finalizar o estreiante Topsyturvy. Por diversos motivos: a música é superinfluenciada por Queens Of The Stone Age; é o Gui quem canta, que, junto com o André, não compõem mais a formação da banda, deixando assim um gosto de nostalgia no ar; e, talvez o principal motivo, é uma música ótima, que funciona muito bem nos fones de ouvido quanto ao vivo (o que dificilmente acontecerá novamente).

Topsyturvy, a banda, é um destaque hoje na Mogi Indie Scene. Há toda uma história em torno de sua criação, em torno do “-1”,  do álbum de estreia e do fato de serem assumidamente uma dupla hoje. Todo esse contexto apenas aumenta a vontade de vê-los tocando e produzindo cada vez mais material. Que venha o próximo álbum.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um pouco de nostalgia: Selenitas

Não lembro ao certo o ano, devia ser lá para 2002, 20003... Duas bandas mogianas se destacavam muito na cidade e no interior, que era o FUD e o Contraponto. Neste cenário, algumas bandas começaram a surgir, de forma bem humilde, e foram crescendo e se articulando. Surgiu um quarteto até polêmico, formado pelas bandas: Selenitas, Geração do Amor Transgênico, Dielo Trouda e Flegma.

Geração do Amor Transgênico

Definitivamente, não eram sucesso de bilheteria. Por muitas e muitas vezes, as bandas tocavam para as ela mesmas, num corre louco de conseguir aparelhagem. Mas, no final, era legal pra caramba.

Flegma

Tocando e juntando verba, foram produzindo seus EPs. Flegma lançou o famigerado e raro Adamastor e Suas Ilusões, GAT lançou dois ótimos álbuns: Geração do Amor Transgênico e Mundo Sintético. E Selenitas lançou o surpreendente Lama, que é dele que vou falar.

Selenitas

Na verdade, antes de falar do Lama em si, é bacana lembrar de como eram os shows desse trio. As músicas era altas, cheias de energia, com influências que iam de At The Drive In a Dance of Days (lembrem-se... era início dos anos 2000). Os vocais alternavam entre feminino e masculino, sendo que o Rodolfo, baterista, era um show à parte, tocando e cantando ao mesmo tempo. Não tinha como se cansar de ver um show deles.

Agora, o Lama. O Lama foi surpreendente. O estúdio Overdrive não era em César de Sousa ainda, não havia muitas gravações das bandas e não sabíamos o que esperar direito.

Selenitas

Com a mente nos shows altos da trupe, você pega o Lama e consegue ouvir tudo direitinho, sem perder a veia punk natural da banda. O trabalho possui músicas com influências do início do hardcore melódico pra lá de alternativo, com riffs mais emocionantes e linhas de baixo criativas . Nos shows, sempre tinham as preferidas do público, que ficaram presentes em Lama, como Borboletas Alguma Coisa e Os Elefantes Voadores e Suas Garrafas de Vodka. Uma pena que ficaram de fora Morte às Flores e Aquaman.

Infelizmente a banda acabou há algum tempo já, mas lá na Trama Virtual ainda dá pra ouvir e baixar Lama. Vale à pena conferir e relembrar.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Apresentando: DiFuzz

Quem? DiFuzz. Antes de qualquer conversa, dá um pulo lá no espaço deles.

Agora sim vamos prosear. DiFuzz é a nova banda que ingressa na famigerada Mogi Indie Scene, formada por velhas figurinhas e por figurinhas mais novas do que as do álbum da Copa do Mundo da África.

Velhos Camaradas: Athos, ex-Netos da Revolução e atual Blood Sugar (é :)) e Vintage Club Band, no baixo, Gente nova: Mazola, vocal e guitarra, Paulinho, vocal e guitarra também e Fred na bateria. As canções são do Mazola e do Paulinho.

Os caras fazem um som com letras tanto em inglês quanto em português. E é interessante que o peso da música varia de acordo com a língua usada. Nas músicas em inglês são claras as influências de bandas como Franz Ferdinand e até Kings of Leon. Mas, nas músicas em português, mesmo tendo batidas dançantes, rementem ao indie low-fi, como a - infelizmente - falecida banda SodaCaffe (dica para quem conhecia essa banda: tem coisa nova no myspace deles).

As pirações em Silly Blindness (com uma batera e guita que, por vezes, lembra Taking Back Sunday) deixa uma expectativas grande para ambientações e climas ótimos em uma apresentação ao vivo, cheio de climax e empolgação.

Antes do Sol, minha favorita, é uma bela indie song guitarresca com uma letra que se encaixa perfeitamente na melodia. O mesmo ocorre com Qualquer Lugar - menos dançante, mas com o mesmo teor de guitarras - e Olhos no Coração.

Para não dizer que não falei das flores, Way Back, o segundo som, é a mais tensa, no sentido do peso da música, com uma melodia mais sombria e uma bateria mais lenta.

DiFuzz ainda não se apresentou, mas, num futuro muito próximo teremos shows desses rapazes. Eles são mais uma peça do quebra-cabeça de bons acontecimentos na Cidade do Rock dos últimos meses.

Abraçøs!
Por Zelenski, ao som de DiFuzz

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sem Ofensas

Rock rasgante no primeiro EP com atual formação do Accidents

A ótima banda Accidents, de Mogi, tem história pra contar. Quem a viu no começo e a vê hoje sabe que muita coisa mudou. E a mudança mais visível é a formação.

Outrora com quatro integrantes: guitarrista, baixista, baterista e um vocal inquieto e demoníaco, hoje temos um power trio, com a bateria tocada, digamos assim, no talo pelo Korova Raphael, baixo firme da Ju Give-me e um mais recatado, mas não menos voraz, Felipe na guitarra e vocal.

Desse jeito, temos o novo Sem Ofensas, EP sucessor de Roubaram até nossos Sentimentos, com 6 músicas rasgantes, de rock'n roll simples e visceral misturado com elementos do hardcore raiz mogiano (fruto, imagino eu, da história longa de todos os integrantes na cena).

Baixe aqui e confira.


Por Zelenski, ao som de Reffer.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os 70 vivem nas asas do pássaro


Novo álbum do Conte-me uma Mentira usa e abusa, na medida da certa, de guitarra, teclado e influências setentistas roqueiras



O que dizem pelos becos da internet, nas esquinas das rádios e nas vias expressas dos revivals, é que os anos 90 estão de volta, seja nas bandas que ainda existem ou voltaram a existir, seja nas influências despejadas no indie e garage rock de hoje.

Deveras, pois, mesmo uma década sendo mais influente em outra, no caso de agora os anos 90, sempre haverá espaço para influências e bandas dos anos 2000, 80, 70...  e é aqui que chega no ponto desejado do texto: os anos 70.

Todo esse lenga-lenga – dois parágrafos de blá-blá-blá – pra falar como o Conte-me uma Mentira, no novo álbum A Viagem do Pássaro (foto) conseguiu juntar todas as características positivas do rock dos anos 70 (guitarras, teclados psicodélicos...), mesclado com o barulho dos anos 90, no mais fiel estilo Fugazi de guitarra, baixo e vocal.

O CD começa bacana já pela arte e faca do encarte. São 13 faixas bem viscerais, fazendo um rock estiloso e barulhento do início ao fim. Recomendo e muito.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Can.ções.sobre.viver de Charles Cabral


Can.ções.sobre.viver é o EP feito em casa pelo Charles Cabral, ex-Netos da Revolução. Mesmo sendo caseiro, tirem da mente as gravações feitas em k7 nos anos 90 ou gravações ruins com fundo de televisão ou de mães gritando com o irmão mais novo. Este é um EP muito bem gravado, que não deve nada a qualquer outro.

E não digo só pelas belísssimas canções do Charles, que, quem o conhece sabe, tem suas raízes em bandas como Legião Urbana e fortes influências indie, como Grandaddy.

Mas digo também pela melodia e peso de cada canção, pelo clima passado na ordem mais que bem escolhida das faixas, com direito a músicas depressivas e outras, como a minha favorita Canção p'ra Conformar, mais animadas.

Ele disponibilizou para download gratuito o EP, com as 8 músicas mais a arte do CD, sob a licença Creative Commons. Clique aqui e baixe.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Leituras para o feriado

Olá, para todos.

Hoje temos duas colaborações fodas no post: Régis, do Somata, com a resenha do álbum Trovas de Amor e Escárnio, da falecida banda Motocontínuo, e Lucas, do Vício Primavera, com a segunda matérias sobre guitarristas, desta vez entrevistando o André, ex-Menteca e atual Give-me a Break.

Divirtam-se!

****

Trovas de Amor e Escárnio
by Regis Vernissage


Arrisco dizer que o Trovas de Amor e Escárnio trata-se do CD não lançado mais legal dos últimos tempos! Que fique claro aqui que o “não lançado” dito acima se refere logicamente à forma física que corresponde, no caso, ao velho e modorrento compact disc, afinal de contas é sabido hoje em dia por todos que, com a derrocada das majors e com a migração dos games para o formato “download”, o CD virou item de antiquário, coisa de gente velha que achava que a tecnologia digital do CD seria por tempos o melhor e mais moderno meio de se armazenar informações. Oh, doce ilusão...

Enfim, falemos sobre o Trovas independentemente do seu formato. O gênio criador por trás desta obra atende pela graça de Guilherme Padovani. Compositor de mão cheia, praticamente todo o conceito da obra (letras, melodias, arranjos) é de sua responsabilidade. E como talento realmente parece não faltar neste rapazola, ele armou um time da pesada para acompanhá-lo neste breve espaço de tempo que o Motocontínuo teve para a divulgação desta obra. Marcelo e Rodrigo (guitarras), Ju (teclado), Bruno (bateria) além do próprio Gui no baixo e vocal, foram os responsáveis por este meteoro fuzzístico chamado Trovas de Amor e Escárnio.

No total são 15 sons e o que parece ser de uma enorme pretensão já cala logo de cara quem nada havia entendido até então. O Lírico O Amante O Vil e O Cão, A Dança do Acaso e Lamento e Bang-Bang de Quinta às 21h, desde já 3 clássicos irretocáveis, são rockões foderosos que mesclam grooves, melodias quebradas, gritaria grunge, não-refrões, guitarreira fuzz, swingues tropicais, teclados oportunos e bateras soco-no-estômago. Foi bom pra você? Inclusive na Bang-Bang os vocais são divididos com o guita Marcelo. Extremamente foda que é a porra.

Passando a tontura da porradaria inicial, temos Qualquer Coisa Vulgar com sua atmosfera mezzo-robertão mezzo-gainsbourg, A Balada do Vilão Falido (genial!) e Bem Desejar-Te O Mal – sempre presentes nas últimas apresentações do Motocontínuo – a “instrumental cantada” 7, a ácida Doce Amargo (o teclado dá medo, na melhor referência horror movies) e a stoner rock bate-cabeças de nome singelo És Pintura e Poesia.

Sem pausa para respirar, mais fuzz ácido é despejado em nossos ouvidos com a sensacional O Bom e Velho Romance Moderno que fala sobre... bem, hehehe... Sonata Ao Acaso revela com clareza a intenção das músicas serem gravadas todas de prima (detalhe pro diálogo no final), seguida pela grooveria noise d’O Inimigo das Palavras, da insólita e bela Escondido Sob o Véu de Mistérios e Símbolos, da brasilidade punk-rock da Desapego, para então finalizar esta obra com a classe e o requinte da Derradeira Prece.

Os sons foram gravados, pra variar, no estúdio Overdrive do André (ex-Mentecapto) ainda em 2008 e a mixagem foi feita pelo próprio Gui em seu private-atelier.

Para os fãs mais assíduos, bitolados e histéricos, o Gui disponibilizou ainda dois remixes “trip-hop style” de faixas do Trovas que viraram A Dança do Lamento Ao Acaso e Mal Desejar-Te O Bem, que cabem muito bem como bônus tracks caso o indivíduo insistir em usar aquela jurássica mídia chamada compact disc para servir como armazenamento de áudio desta obra que já tem sua definitiva importância no que insistem em chamar por aí de cena mogiana.

Download do Trovas de Amor e Escárnio do Motocontínuo:
http://www.tramavirtual.com.br/motocontinuo
http://www.tramavirtual.com.br/motocontinuo
http://www.tramavirtual.com.br/motocontinuo

Esta banda fará muita, muita falta.

PS: [Guimotoco mode ON] Na verdade as músicas são uma bosta, a banda é zoada, a arte é horrível, o baixista é uma mona, canta mal pra caralho, a mixagem é lixuda e eu quero é que eles vão todos se foder! Mor bosta...

****

Entrevista com André
by Lucas

Bom, seguindo a diante com esse papo de entrevista, resolvi trocar uma ideia (sem acento por causa da reforma) com um cara de suma importância para a cena musical de Mogi e região : André Marques. Esse cara não é só responsável pela gravação de uma porrada de banda por aí, como também é atuante na cena com bandas de peso como MENTECAPTO e GIVE ME A BREAK.

Bom , sem mais delongas , segue abaixo a entrevista que fiz com o André.

• Nome e Idade.
André - praticamente 27 (11 de junho)

• Quando e como começou?
Comecei em novembro de 1996, com 14 anos. Eu não pensava em tocar nada, até uma porrada chamada RAIMUNDOS me atingiu e mudou TUDO. Lembro de ouvir pela primeira vez "Eu quero ver o oco".

Eu nem era roqueiro, nem curtia música ainda, mas aquilo me atingiu de uma forma que não conseguiria explicar. Sem zueira, foi um orgasmo ouvir aquilo. Um mês depois, eu já tava tocando guitarra, várias músicas do Raimundos, e totalmente imerso no mundo do Rock.

O resto é história. Até hoje tenho uma admiração monstra pelos caras, em especial pelo Rodolfo.

• Primeira Guitarra.
Uma Golden com um desenho de uma caveira. Não faço idéia o modelo, na época eu chamava
de "guitarra modelo metal"... hehehehe...

• Guitarra que usa.
To usando uma Gianinni Supersonic, modelo Jaguar, MARAVILHOSA! A guitarra não é minha, é do Guilherme Motoco. Pois é, to sem guitarra, hehehe.....

• Guitarra dos Sonhos.
Uma Gibson Firebird vermelha com tudo original; é o sonho supremo... vai rolar em breve !

• Primeiro Amplificador.
Um Staner modelo Kute 16. Era um amplizinho de 16 watts com uma distorção boqueta.

• Amplificador que usa.
Uso um Peavey Bandit 112. Na minha opinião, é disparado o melhor ampli transistorizado. Mas é só um quebra galho.

• Amplificador dos sonhos.
Não tenho certeza, mas se pudesse escolher um, muito provavelmente seria um Mesa Boogie. Não sei qual modelo, mas talvez um dos anos 80. Preciso de um ampli que não sature.

• 5 Bandas e 5 Guitarristas.
- Iron Maiden
- The Strokes
- The Mars Volta
- Slayer
- Cacophony

- Omar Rodriguez-Lopez
- Michael Romeo
- Ritchie Blackmore
- e os melhores e mais pirados guitarristas que já existiram: Jason Becker e Marty Friedman... O que esses dois fizeram, ninguém mais faz.

• Palco e evento que sonha tocar.
Qualquer buteco podre de qualquer lugar da Europa.

• Efeitos que usa.
Em ordem :
- Afinador Behringer (porcaria)
- Tube King (dist)
- Small Stone (phaser)
- Big Muff (carniça)
- Booster Melowtone
- Delay. Falta muuuuita coisa ainda, hehehe...

• Efeitos Favoritos.
Delays diversos e inversos, Oitavador, Synthetizers da vida e Phaser locão. Mas o efeito mais foda de todos é o Big Muff. O problema é que pra ele falar de verdade, é preciso um ampli monstro pra segurar o B.O., pois o bicho é cabuloso meeeeeesmo.

• Defina sua pegada em no máximo 3 palavras.
Força, dor e Death-Metal.

• Eu disse 3 André... hehehe...
Põe Death-Metal como uma só.

• Beleza... Técnicas.
Muitos bends e riffs trava-dedo. Gosto muito de fritar e improvisar em cima de escala nenhuma, sem nenhuma ligação com nota, tempo e padrão nenhum. Geralmente sai uma droga, mas é essa a idéia.

• Você é guitarrista de qual banda?
De uma banda que ainda não tem nome, hehehe...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Adubado - Hierofante Púrpura


Adubado é o EP lançado este ano pela banda mogiana Hierofante Púrpura, junto com a Tronco Produções. Há um tempo, na ocasião do lançamento, eu havia falado da ótima qualidade do show e sintonia entre os integrante. Agora, venho falar do EP, e posso, sem medo, elogiar, assim como fiz com a apresentação ao vivo.

Adubado possui apenas quatro músicas e se difere bem do primeiro EP da banda, Asugar-Çugar. Enquanto o primeiro há mais pirações na guitarra e instrumental, neste percebe-se um som mais sólido, com as letras mais presentes e com um evidente teclado, exercendo importante função nas músicas.

A faixa inicial é Amor Te Quero, que consegue equibrar bem o rock, alternativo e acessível, com um instrumental que fica na cabeça por horas, passando por momentos diferentes no decorrer da música, do psicodélico a uma quase marchinha. E conta com uma ótima letra, que nos faz pensar sobre o tempo e sobre o que fazemos e queremos fazer dessa vida.

Não Conte a Ninguém ou Mato Você, segunda faixa, possui uma melodia que nos remete a canções de ninar, mesmo na parte que fica mais barulhenta, mantendo um ar de mistério pela música toda. E o próprio vocal, um tanto falado com um bom ritmo, nos faz imaginar alguém contando uma história. Inquetações, brigas internas, desconfiaças pairam na letra. Muito bom.

Depois vem o forte piano, em Sujeto Sem Brio, com os demais instrumentos que aparentam seguí-lo, numa letra que parece falar sobre egoismo ou da falta de modéstia de alguém.

Fechando o EP, Tá Tudo Bem Tá Legal traz uma canção tensa, mas ainda assim com um tom alegre, que fala sobre olharmos as pessoas e depois nos olharmos, e ver que está tudo bem, está legal. Ou não.

Claro que essas interpretações são pessoais, cada um pode entender de uma maneira, mas, olhando da forma que olhei para essas músicas, vi que é album que questiona/aborda muito o nosso próprio ser. Veja se ocorre o mesmo com você, Adubado está disponível na íntegra no MySpace deles. Ou vá em um show do Hierofante e peça um EP para eles. Consegui o meu assim. :P.

Abraçøs a todos!

Por Zelenski, ao som de Hierofante Púrpura.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

With a little help from my friends

Estava desanimado. Pensando em largar o blog, dedicar com mais atenção à minha banda. Manter um blog é dose. Ainda mais quando se faz isso sozinho. Mas, eis que surge no meu e-mail o prometido texto feito pelo Régis, do Somata, sobre o novo CD da Maquiladora. Me deu um ânimo pra seguir em frente. O texto ficou foda. Valeu, Régis.


Régis (ilustra by Fukuda)

E com vocês:

Parturition
by Regis Vernissage

É com enorme prazer que aceitei de bate-pronto o convite de nosso ilustríssimo Zelenski para traçar algumas palavras sobre o tão comentado primeiro CD cheio de uma das melhores – senão a melhor – banda da indie scene do Alto Tietê da atualidade. O disco chama-se Parturition, das meninas da Maquiladora.


Parturition, o primeiro rebento cheio das Maquilas. É um disco que destila energia rocker em 13 petardos rasteiros (nenhum maior que 3 minutos, no melhor Ramones-style, cravando a totalidade do CD nos 30 minutos), que pegam o ouvinte menos avisado pela orelha, rodando-o como uma camiseta suada e arremessando-o a distância como se fosse uma serpentina carnavalesca, tudo isso no melhor espírito rock puro, cru, sincero em sua verdadeira essência. A Maquiladora faz hoje o som que muito marmanjo queria fazer, mas não consegue saca?

A viagem de 30 minutos ao mundo das guitarras avassaladoras de Parturition começa com a breve instrumental Keep On, de riffão cabuloso, curto e grosso, que já soca o objetivo delas na cara do ouvinte. Scenter Dog - velha conhecida e ótima para stage divings, como diria alguém - destaca de cara a potência vocal de Thania D! (sim, ela canta pra caralho!), onde encontra-se a impossibilidade de ficar indiferente ao mantra proferido por ela (some lord from anywhere, please help me understand, some lord from anywhere... i lose my faith). Sem descanso, a guitarra onipresente da guitar-heroin Thais Naomi puxa a porradaria sonora que atende pelo nome de Too Much Wine, fazendo o ouvinte correr pra geladeira na esperança de alguma garrafa estar ainda cheia, para então secá-la e questionar sobre posturas e condutas não condizentes com o bom comportamento humano. Fudida e absolutamente recomendada para o ato de headbangear. Na sequência, Monster traz o baixo saliente, preciso e roxo da Nynona em sintonia com a bateria singular e potente da Andrea Marques (que também escreve com maestria as letras, diria eu praticamente um Neil Peart de saias!), tudo isso com um tempero cheio de climas e passagens. Até aqui, o ouvinte já sacou que é impossível controlar este monstro vivo chamado Maquiladora. E quando os ouvidos pousam sobre How Can I Call You?, tudo aquilo que se imaginava ouvir pela frente cai por terra. Criativa, esplêndida, barulhenta, compassada, gentil, irônica, maravilhosa, deliciosa. Desde a primeira vez que escutei tornou-se uma das minhas prediletas. E estamos ainda rumo ao 13° minuto do CD. Já temos aqui a melhor seqüência de abertura de CD dos últimos tempos.

Sem deixar o pique cair, somos presenteados por Full Of Nothing, que retrata com sabedoria as pessoas que sequer olham em nossos olhos, temperada por um instrumental viajante de nuance calma inicial ao barulhento solo bangeante do final, Prepare The Make Up And The Guns que relata a capacidade de aceitarmos ou não os caminhos que somos capazes de moldar em nossa própria existência, através de ações naturais, não forçadas, simplesmente da forma que elas aconteçam, Freedom que é quase um power-metal vestido de uma literatura quase punk com uma sonoridade quase grunge e Butterflying que nos remete à melhor fase do garagem independente americano circa ’90 onde a imagem principal disserta sobre a intenção das Maquilas de dançarem como asas de borboletas quando morrermos.

Na reta final, Big And Fat Heads chega em versão regravada (como também os outros sons que faziam parte do primeiro EP), que pareceu impor uma força maior à música. Enquanto elas teorizam sobre ajudar os cabeções a encontrar alguma diversão, nós já a encontramos e chama-se Parturition! Wow! Depois, Maybe They Were Right condensa uma referência proto-punk que carrega consigo uma das frases mais bacanas do CD: “maybe I was blind, maybe I was blind, maybe I was blind or sedated”. Foda. Won’t Give It Up é outra porrada que aparece regravada apenas para relembrar que elas não vão desistir dessa história toda nem fudendo, que elas podem socar e até morder, mas não podem ver sangue, portanto cuidem delas rapazes! E pra fechar essa viagem punk-metal-guitarreira a 3.200 milhas por hora, elas nos enfiam goela abaixo sua postura “sou mais eu” (que alguns diriam riot-girls, mas não vem ao caso), onde de nada adiantará não aceitá-las, reclamar delas ou mesmo não ouví-las, pois elas irão nos socar, chutar e calar nossas bocas com On My Way, petardo final que nos deixa com gostinho de: “ué, acabou?”.

Único ponto negativo foi a não inclusão de Rise N Grow que fazia parte do primeiro EP delas e é outro puta som. Só isso.

Parturition foi gravado durante o ano de 2008 no Estúdio Overdrive (celeiro de música boa em Mogi) pelo André e produzido e lançado há pouco tempo pelas próprias meninas, sem muito estardalhaço. A arte do CD é de autoria da Thais Naomi, que além de guitar-heroin ainda tem um traço foderoso de animal!

Long Live Maquiladora... Andrea, Thais, Thania e Nyne possuem um futuro iluminado pela frente! E foda-se que foi um PARTO pra ele ficar pronto, o resultado ficou mortal!

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Agora sou eu, Z, falando de novo. E divulgando, não percam:


Mogi saindo de Mogi.

Abraços a todos!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Boa ótica em Baile de Gramofone

A banda carioca Cinedisco ganha destaque em diversos pontos: musicalidade criatividade, o uso de brinquedos nas canções, o mix de integrantes de bandas diferentes, a influência de elementos que ultrapassam o universo da música (como livros e cinema) e, principalmente, a ótica diferenciada sobre os temas abordados.

E Baile de Gramofone, CD recém lançado da banda, sucessor do ótimo Livros, Discos Filmes E Um Pouco De Delírio Cotidiano, comprova ainda mais essa idéia. Além de ter os outros elementos reforçados, o que mais me surpreendeu foi como os temas foram tratados neste álbum.

Os temas não são originais, mas a visão é. Relacionamentos, encontros, despedidas, expectativas, arrependimento, ciúmes e sinceridade, tratados de forma que faz você pensar e concordar ou discordar. Diferente do infeliz álbum Redenção, do Fresno, que, por mais que se tente, não se consegue tirar nada de original ou inovador, seja na melodia ou nas letras.

A prévia com o EP Mais Delírio, Menos Sal, feito junto com os companheiros do Deluxe Trio, com duas canções inéditas de cada banda, já trazia bons fluídos para o novo álbum.

Destaque para as canções Encontro em NY (e toda sua expectativa agonizante e otimista e o ótimo backing vocal da galera toda), Nada Platônico (e uma visão sobre o ciúmes), Louvre (que já era bonus track no primeiro álbum, agora em versão com a banda toda), a soft rock Quem Precisa da França e a já conhecida Quando Você Saiu, que já havia sido lançada como single.

Destaque também para a bela arte do CD.

Poderemos conferir tudo isso dia 28 de novembro, aqui em Mogi das Cruzes. Já fui em um show deles e recomendo. A mesa com os brinquedos é um show a parte.

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E falando em lançamentos, procurem pelo novo álbum da banda Instiga, Tenho Uma Banda, que está muito interessante também.

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Por Zelenski, ao som de Marcelo Camelo, Janta.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Mais Delírio, Menos Sal
EP das bandas cariocas Deluxe Trio e Cine Disco marca início de nova turnê



Adoro comunicação on-line. Mas daquelas bem feitas, que são bem-vindas em nossas caixas de e-mail, orkut e coisa e tal. Assim, sempre que um assunto ou site me interessa, logo cadastro meu e-mail para receber newsletters e novidades.

Assim sendo, ao receber o newsletter da Manifesto Discos dizendo que a banda carioca Deluxe Trio estava com músicas novas para download, logo fui conferir qual era o lance. Assim, descobri o novo EP Mais Delírio, Menos Sal, feito em parceria do também carioca Cinedisco.


Split Mais Delírio, Menos Sal, do Cinedisco e Deluxe Trio (foto: idealshop.com.br)
A patota tem quatro faixas: Podia Ser Diferente e Tema Para Monk, com Cinedisco, e Abate e Zelig, com Deluxe Trio. As músicas trazem as influências e melodias que já conhecemos nas duas bandas, mas não decepcionam. Cinedisco vem com suas canções dançantes, letras influenciadas pelo cinema e outras artes, enquanto o trio vem com o rock simples e potente. São boas novidades, vale conferir.


Tudo isso marca também o início da turnê unida das duas bandas, chamada como o split, Mais Delírio, Menos Sal. Quem sabe eles não dão um pulo aqui por Mogi (lembrando que Cinedisco já deu as caras na terra do caqui).

O split serve também para acalmar os ânimos de quem está esperando o novo CD do Cinedisco, que já deram uma idéia de como será com Quando você saiu e a nova versão para Louvre.

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Que falta faz um metrônomo


Há seis anos que toco bateria e só agora que fui comprar meu instrumento. Nada muito extraordinário, uma RMV, mas bem bacaninha, tudo nos lugares, na afinação que eu gosto.

Em posse da bateria, os Netos podem, enfim, passar as músicas aqui em casa, sem gastar a dolorosa grana dos estúdios e afins. Bateria abafada, para não matar os vizinhos, violões, baixolão, o gogó do Charles sem microfone e, figura nova, o metrônomo.

Em três anos de banda, nunca usamos o metrônomo e, ontem (domingo), reparamos que falta faz. Algumas músicas até ficaram com cara nova com o pi pi pi da maquininha, como A Dor de Belerofonte e A 3a. Direita do Sol. E ficaram ótimas. Esperem por elas no nosso próximo e breve EP.


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Dica: escutem as novas gravações do Motocontínuo (inclusive, parece que dia 18 de abril vão tocar na USP com o Hurtmold). Estão ótimas.

por Zelenski, ao som de Carolina Diz, Crônicas do Amanhecer.